Sobre e para sentimentos Quixotescos

"Com as lágrimas do tempo e a cal do meu dia eu fiz o cimento da minha poesia."

{Vinícius de Moraes}







terça-feira, 25 de setembro de 2012

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E a carga que carrega na cabeça
vai pesando o suficiente para embaçar a vista,
tapear as coisas de fora,
ignorar as coisas de dentro.
Vá lá, Benedita!
Vá arrumar sua trouxa enquanto o rio tem água,
que a sorte te lava.
O de fora é passageiro,
e o de dentro já nem existe
se te convences que a trouxa é fardo,
é trabalho, é água, é rio.

Marcela Pessôa
25/09/12



Imagem: Gildásio Jardim








quinta-feira, 13 de setembro de 2012

Burrice

Burrice é um transtorno da alma!
Quando fica perdida e avança a passos largos sem perceber que caminha sobre espinhos em vez de caminhar sobre a relva.
Burrice é essa condição humana de admirar o jardim do vizinho e depreciar o que conquista com custo.
É essa estupidez em ignorar o que faz sentido, o que dá sentido, acreditando que o lugar nenhum é melhor que projetar o horizonte.
É esse orgulho besta de achar prudente cavalgar sozinho se até a loucura quixotesca tinha lá seu par.
Burrice é essa relutância em admitir que o universo é um todo indivisível demais para sermos individuais e desnecessários.
E acima de tudo, burrice é esta vontade de não querer, querendo!
De se abestalhar e perder tempo ruminando o que já é, ou o que já foi.
Mascando palavras tolas para exorcizar essas asneiras interiores que mesclam tristeza, amor e sei lá mais o quê!



Marcela Pessôa
13/09/12