Estou confinada em meu corpo
Aqui dentro dor e angústia
Interrupção e coragem
Dentre tantas outras formas, foi a que a vida me acometeu
Vítima da confiança cega no sistema perito
Partilhamos dela
E agora toda essa dor
Mas antes o momento do quê o etéreo, escolhi
Suportamos
Aprendi que é suportável
Tenho exemplos
Grandes exemplos
Senhoras da fecundidade, prostro-me
Tanto às que disseram sim quanto às que disseram não
Uma ou outra opção não as tornam mais ou menos mulheres
Mas ambas as tornam bravas
Criadoras de opções frente aos desafios
As admiro
As respeito
E como me orgulho de ter vindo mulher
Penso que o x tem um traço a mais para lidar com o que a sociedade lhe deu de menos
Já retumbou icônica, Adelia:
Ser gauche na vida é coisa pra homem. Mulher é desdobrável. Eu sou.
MOP.
[sem data]
Sobre e para sentimentos Quixotescos
"Com as lágrimas do tempo e a cal do meu dia eu fiz o cimento da minha poesia."{Vinícius de Moraes}
segunda-feira, 28 de dezembro de 2015
sexta-feira, 16 de outubro de 2015
Perfeito
Tantos amei
Meu coração eu nem sei,
Eu nem sei...
Cansou dessa vida de ambulante
De Quixote
De menino
E se desabandonou sozinho
Agora vive cantando
Agora vive sorrindo
Com ninguém
A melhor das companhias
Sem dúvidas
A mais segura
A mais recíproca
A mais discreta
A mais amante
Ninguém é bom demais
E é só meu
Só meu
Só meuMarcela Pessôa
20/09/2015
Albero
Árvore frondosa
Que na tua seiva destila os vícios,
Os perigos do amor...
Caem de ti folhas alvas
Granuladas de aspirações e sentimentos
Teus galhos se expandem
Contorcem-se e espalham a todos os cantos
Tuas folhas, tua seiva
Tuas raízes robustas se forjam sobre a terra
Macia e acolhedora
Amante desvalida
Mas paciente e amorosa
Ela te ama
Ela ama o acalanto de tua sombra
Ela ama o sol resplandecer entre o verde de tuas folhas
Ela ama mesmo as mais antigas e desnudas
Que beijam o chão e a cobrem como manto,
Enriquecendo o húmus tão vivaz
Ele ama o teu toque
Tua postura forte, a semente delicada
A partilha da vida num movimento perene...
Da terra ao céu...
Do céu à terra...
Ah, se soubesses de teus encantos
E do amor que destilas...
Aih, se soubesses...
Marcela Pessôa
05/07/15
quinta-feira, 1 de outubro de 2015
Opções
Estava tudo definido.
Sucesso novamente.
Mas tudo desaconteceu...
E agora?
Primeiro a preocupação...
O desespero...
Estamos em crise...
O mundo se desfazendo...
E agora?...
Pronto.
O currículo pesou.
A competência pesou.
Dois dias depois já apareceu algo melhor.
Algo novo.
Diferente.
Estimulante.
Estável.
E mais dinheiro...
Dinheiro...
É por dinheiro?...
Não... Mas também é dinheiro...
Mas dinheiro é também...
Apenas também...
E vida?...
E tranquilidade?...
E amor?...
E sonhos?...
E agora?...
Agora desaconteço.
Disseram que se ficasse iria ganhar bem...
Resolvi ir embora.
Pensaram que, nestes tempos de crise, era loucura...
Eu chamei de felicidade.
Marcela Pessôa
01/10/2015
Sucesso novamente.
Mas tudo desaconteceu...
E agora?
Primeiro a preocupação...
O desespero...
Estamos em crise...
O mundo se desfazendo...
E agora?...
Pronto.
O currículo pesou.
A competência pesou.
Dois dias depois já apareceu algo melhor.
Algo novo.
Diferente.
Estimulante.
Estável.
E mais dinheiro...
Dinheiro...
É por dinheiro?...
Não... Mas também é dinheiro...
Mas dinheiro é também...
Apenas também...
E vida?...
E tranquilidade?...
E amor?...
E sonhos?...
E agora?...
Agora desaconteço.
Disseram que se ficasse iria ganhar bem...
Resolvi ir embora.
Pensaram que, nestes tempos de crise, era loucura...
Eu chamei de felicidade.
Marcela Pessôa
01/10/2015
sábado, 4 de abril de 2015
Meu filho
Meu filho...
Eu te pari, entre tantos, sem a certeza do futuro que te daria
Eu não controlo o futuro, porque não controlo nem o presente
Nós dois somos vítimas do que eles fizeram de nós
Eu te pari com a dor da incerteza, do medo, mas ainda com a fé e a esperança
Porque é assim que se vem a esse mundo...
E ainda (muito) mais quando se é obrigada a parir sem garantias do que te proporcionar
São poucos que não temem
Só uns poucos tem meios
E eu te peço perdão, meu filho
Perdão por tentarem fazer de ti menos meu que os outros
Só porque é preto,
Só porque é pobre,
Só porque é favelado,
Só porque é mulher,
Só porque é gay...
Eu te peço perdão, meu filho,
Porque quem aprendeu a te amar, hoje, despedaça-se ao chão
Assim como o futuro que estão tentando nos forjar, ocultando nossa história e amarrando nossas mãos
Eu te peço perdão, meu filho,
Porque outros filhos não entenderam, e talvez nunca entenderão, que quem ama cuida
E que se deve olhar mais por aquele que sofre do que àquele que tem garantias
Eles são egoístas, meu filho...
E embora saibam que foi-se moldando num erro assim o Caim que matou Abel, preferem que se forjem mil Caims desde que se mantenha o privilégio de um Abel...
Eu te peço perdão, meu filho, pelo teu curto tempo de vida...
Pela curta dimensão de mundo que ocupaste neste espaço...
Não foi por minhas mãos...
Mas foi o que fizeram delas...
Eu te peço perdão, meu filho,
Por teu sangue ter lavado as escadas e lágrimas correrem pelo rosto de teus progenitores...
Sofro tal qual a Maria agarrada ao crucifixo
Mas numa quinta feira santa...
Eu te peço perdão, meu filho, por haver tantos outros filhos como você...
Que mal nasceram e já vão morrer...
De morte matada ou de vida perdida...
Eu te peço perdão, meu filho,
Porque não adianta que eu te dedique meu nome, que eu te erga bandeira, que eu balbucie essa lástima se nada vai te trazer de volta...
Perdão, meu filho, por não te chamarem de homem de bem
Porque nem homem chegaste a ser...
Porque 'bem' é um adjetivo que tentam limitar entre as paredes dos condomínios...
E porque nem isso querem saber calcular...
Perdão, meu filho, porque não sou a pátria que te merece
Não me fizeram assim, nem a querem fazer de mim
Mas eu lastimo os corações de meus Eduardos com milhões e milhões de ais...
Marcela Pessôa
03/04/ 2015
Eu te pari, entre tantos, sem a certeza do futuro que te daria
Eu não controlo o futuro, porque não controlo nem o presente
Nós dois somos vítimas do que eles fizeram de nós
Eu te pari com a dor da incerteza, do medo, mas ainda com a fé e a esperança
Porque é assim que se vem a esse mundo...
E ainda (muito) mais quando se é obrigada a parir sem garantias do que te proporcionar
São poucos que não temem
Só uns poucos tem meios
E eu te peço perdão, meu filho
Perdão por tentarem fazer de ti menos meu que os outros
Só porque é preto,
Só porque é pobre,
Só porque é favelado,
Só porque é mulher,
Só porque é gay...
Eu te peço perdão, meu filho,
Porque quem aprendeu a te amar, hoje, despedaça-se ao chão
Assim como o futuro que estão tentando nos forjar, ocultando nossa história e amarrando nossas mãos
Eu te peço perdão, meu filho,
Porque outros filhos não entenderam, e talvez nunca entenderão, que quem ama cuida
E que se deve olhar mais por aquele que sofre do que àquele que tem garantias
Eles são egoístas, meu filho...
E embora saibam que foi-se moldando num erro assim o Caim que matou Abel, preferem que se forjem mil Caims desde que se mantenha o privilégio de um Abel...
Eu te peço perdão, meu filho, pelo teu curto tempo de vida...
Pela curta dimensão de mundo que ocupaste neste espaço...
Não foi por minhas mãos...
Mas foi o que fizeram delas...
Eu te peço perdão, meu filho,
Por teu sangue ter lavado as escadas e lágrimas correrem pelo rosto de teus progenitores...
Sofro tal qual a Maria agarrada ao crucifixo
Mas numa quinta feira santa...
Eu te peço perdão, meu filho, por haver tantos outros filhos como você...
Que mal nasceram e já vão morrer...
De morte matada ou de vida perdida...
Eu te peço perdão, meu filho,
Porque não adianta que eu te dedique meu nome, que eu te erga bandeira, que eu balbucie essa lástima se nada vai te trazer de volta...
Perdão, meu filho, por não te chamarem de homem de bem
Porque nem homem chegaste a ser...
Porque 'bem' é um adjetivo que tentam limitar entre as paredes dos condomínios...
E porque nem isso querem saber calcular...
Perdão, meu filho, porque não sou a pátria que te merece
Não me fizeram assim, nem a querem fazer de mim
Mas eu lastimo os corações de meus Eduardos com milhões e milhões de ais...
Marcela Pessôa
03/04/ 2015
sexta-feira, 20 de março de 2015
Flores dos Campos
'E lhes pintam de branco as paredes
Mas só escondem a podridão
O canal ainda fede
O canal ainda é valão'
Avós...
Eles já cometeram nossos erros no passado
E por mais velhos e sábios que nos sejam
São apenas meninos
Meninos carentes
Meninos sorrisos
Que se perdem no tempo
Contemplando tudo o que foi...
Tudo o que não foi...
O jeito brejeiro ou sofisticado
O carisma envolvente ou o humor ácido
São todos apenas meninos
Que já viveram mais
E que aprenderam - ou ainda não aprenderam - o suficiente
São sempre notícia
Histórias de antaño
Tristezas, compassos
Causos, divisas
Memórias e profecias
Eles apenas somos nós
Repetindo a história por outro ponto de vista...
Marcela Pessôa
20/03/2015
E por mais velhos e sábios que nos sejam
São apenas meninos
Meninos carentes
Meninos sorrisos
Que se perdem no tempo
Contemplando tudo o que foi...
Tudo o que não foi...
O jeito brejeiro ou sofisticado
O carisma envolvente ou o humor ácido
São todos apenas meninos
Que já viveram mais
E que aprenderam - ou ainda não aprenderam - o suficiente
São sempre notícia
Histórias de antaño
Tristezas, compassos
Causos, divisas
Memórias e profecias
Eles apenas somos nós
Repetindo a história por outro ponto de vista...
Marcela Pessôa
20/03/2015
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