Sobre e para sentimentos Quixotescos

"Com as lágrimas do tempo e a cal do meu dia eu fiz o cimento da minha poesia."

{Vinícius de Moraes}







quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

Poder

O que é o poder?!...
Não é um status privilegiado
Não é ter muito dinheiro na conta
Não é ter objetos de valor, propriedades, carros
Poder não é ser muito bonito ou inteligente demais
Não é ter a sua disposição centenas de seguidores...

O poder vive na alma humana...
Na essência do universo...
Na razão da existência...

O poder, meus caros, é saber-se fraco
É querer bem este estado para se fazer forte unicamente por inspiração em alguém
É dar status para uma pessoa especial
É doar tudo o que tem na certeza de que "ter" não é algo importante
Poder é querer ser suficientemente bonito só para uma pessoa
E inteligente na mesma medida
Poder é se saber polir ao préstimo de quem te quer
É se doar com a facilidade de um abraço

Poder só o conhecemos quando amamos
Quando retiramos todas as capas, ouro e prata
Pela grandeza de sentar ao lado de alguém apenas para ouvir seu suspiro
Poder é se entregar na esperança de receber da mesma forma

E não há orgulho, vaidade, ego que não se deixe vencer
Pela beleza de querer amar e ser amado com o mesmo respeito

Poder, meus caros, é tudo que tenho... ainda que ele me tenha perdido...


Marcela Pessôa
15/12/2010

...


A forma que Deus toma a acariciar seus filhos
É uma brisa contínua num dia quente
E você se permite?
... Você sente?


Marcela Pessôa
14/12/2010

quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

É-meio

ponto
ponto
ponto final?
..
uma vírgula!
só uma vírgula!
..
não digo.
eu digo?
eu ligo?
..
pronto: digito.
não,
não digito.
apago.
escrevo.
reescrevo.
envio?
não.
não envio.
..
é o que sinto!
um traço...
um travessão...
e não me explico
..
"pronto!" - eu grito
..
êita saudade atravessada!
... e este poema que não pinto!
..
faz sentido?
e se eu escrever o que não devo?
e se eu enviar o que omito?
..
eu ligo?
e se me esganiçar ao telefone
pra fugir deste equilíbrio?
..
mais uma reticência!!!
e só ela que me edita afinal!...
pronto,
pronto,
pronto...
vou ler um livro
deixa isto pra lá!...
amanhã eu tento!


Marcela Pessôa
.../12/2010

terça-feira, 7 de dezembro de 2010

E o ciúme... de novo!

Ele me bate, me bate, me bate no peito
Me sufoca com mãos sedentas de um porquê
Eu não sei te explicar
Eu não sei te dizer
Eu não sei te poupar
E me bate e me bate, e bate...
Sua lâmina irrompe minha pele magenta
Me domina como o eco o abismo
E me afronta com medo e sorriso
Me engole, me deturpa
Me maltrata e machuca
Aih, meu amor
Que flâmula desengonçada
Que estandarte de pelejo por nada
E que arte nesta batucada
Do meu peito que bate
e me bate em levada...

Marcela Pessôa
07/12/2010

sábado, 4 de dezembro de 2010

Infinitos

Pessoas vem,
Pessoas vão...
Belas pessoas,
Belas pessoas, eu sei:
Em algum lugar
Ainda que seja apenas por serem trabalhadoras
Ou filhos de Deus.
Bicicletas,
Carros,
Bicicletas,
Motos...
Vida.
Trama de detalhes
Embebida de vitórias e derrotas
Elas vão,
Elas vem,
Elas vão...
Queria conhecê-las
Mais do que sou
[...]
Ou talvez não...
Para que assim
Eu as veja
Eu as tenha
Somente como belas...


Marcela Pessôa
02/12/2010

segunda-feira, 4 de outubro de 2010

Inocência

Conheci os seus olhos
doces olhos risonhos
da sua infância
da sua puberdade
da sua vivicidade

Conheci os seus olhos
e seu brilho resplandecente
que dizia a toda gente
o quanto era genil

Conheci sua esperança
sua beleza inefável
de viver todo dia
com a ternura da alma
na vida e na crença
no prazer e no infinito
no verso e na prosa

Conheci, conheci os seus olhos
que contemplavam o tudo
que se admirava por nada
e só queria aprender a se ver

Conheci os seus olhos
enquanto o mundo se coloria
os costumes brotavam
e o respeito se revigorava
na humildade de apenas Ser

Conheci os seus olhos
enquanto as pessoas duvidavam,
seus sonhos passavam
e a realidade a cicatrizava

Conheci os seus olhos
nas suas mil maneiras de aprender
nas possibilidades de se refazer
e crer novamente no incrível

Conheci os seus olhos
na sofreguidão
e no desejo,
no melindre
e no cuidado,
na soma
e na dízima,
nos vãos abertos
e nas grotas

Conheci os seus olhos
nos céus
e no mármore,
na vitória
e não glória,
no taciturno
e no cotidiano

Conheci os seus olhos
e com eles suas lágrimas,
seu sabor
e seu pêndulo,
as ausências
e presenças
Sim, conheci os seus olhos
e só eu os sei tanto

[...]

A mim que dói o vazio
por permitir-se repetidamente
a inocência de olhar o mundo
apenas com o coração
- ainda que esta seja a forma
mais decorosa que tenhamos
para encontrar Deus

[...]

Cuida dos seus olhos
que eu a quero bem
e quero vê-los resplandecer
ainda por muito tempo.

Faz assim:
Me permita envolver-lhe mais
que prometo não lhe sufocar,
pois já sabemos ambos
que o equilíbrio da vida
está no desequilíbrio das circunstâncias.

Com carinho e ternura,
Sua razão.


Marcela Pessôa
03/10/2010

segunda-feira, 27 de setembro de 2010

Para o dia de amanhã

Elas sucumbem ao meu sorriso
Se projetam contra minhas lágrimas
Divagam, vagueiam
Elas não podem contra minhas crenças
E eu acredito
Acredito na reforma humana
No bálsamo das flores
No embalo dos ventos
Na transformação
Na transfiguração
As pedras se abalam
O lustre treme
É contagiante
É enebriante
Acreditemos todos...
Tudo passa
Tudo passará
As pedras sucumbem
Elas sempre sucumbem


Marcela Pessôa
.../09/2010

.

sábado, 25 de setembro de 2010

Apenas uma nota

Quando o coração do poeta
se entrobeta de sofrimento
todos se contentam...
Pois a dor tinge o papel
com a beleza e crueza
de se fazer poeta.
E quando o poeta morre,
todos choram...
que seu amor foi dividido em mil faces,
ainda que toda a dor fosse apenas sua.
O poeta doa seu doer lapidado,
para beijar o âmago do vosso sentimento.
A benção poetas
que morreram de amores por mim.
...


Marcela Pessôa
25/09/2010



quarta-feira, 26 de maio de 2010

Você

A contradição do inverso
O centeio e o chorume
A pedra e o telhado
O ardor e o finito
O sorriso contágio
O semblante e o verso
O furor e a ética
O deslumbre e o regozijo
O afago e o doce
O sabor da palavra
...

Marcela Pessôa
25/05/2010

quarta-feira, 24 de março de 2010

Doces amores

Cada teco do petisco
Cada pingo de chuvisco

Cada toco de cascão
Cada toque com a mão

Cada estalo da fogueira
Cada gata borralheira

Cada pedaço de queijo
Cada restinho de beijo

Cada ripa na chulipa
Cada brasa que crepita

Cada batuque no eco
Cada cheiro de boteco

Ahhh...mores!!!


Marcela Pessôa
23/03/2010

segunda-feira, 22 de março de 2010

Esquecimentos

Sim, hei de esquecer.
Esquecer os novos cheiros que me embriagaram.
Esquecer os novos sons que me domaram.
Esquecer as novas palavras que me usurparam de onde eu estava e me deixaram aqui, onde nem sei mais quem sou.
Hei, hei de esquecer.
O ritmo dançado durante a noite.
A aurora radiante pela janela.
Os cômodos.
Os abraços.
Os laços.
Sim, hei de esquecer.
Mas por agora, tudo vira poesia.


Marcela Pessôa
22/03/2010

sábado, 20 de março de 2010

Inexatidão

Inexatos os tempos cordados
Em que sua espinha não lhe vale um vintém

Inexatos os tempos passados
Onde se mede o valor daquilo que não tem

Inexatos os tempos perdidos
Onde as palavras lhe fogem à razão

Inexatos os tempos caçados
Em que todo o mundo lhe foge à mão

Inexatos os tempos de glória
De uma vida que não se esqueceu

Inexatos os beijos da aurora
Tal como a face de Prometheu

Inexatos os destinos das pipas
Que docemente se jogam nos céus

Inexatos os sorrisos contidos
E as lágrimas turvas dos cílios do mel...


Marcela Pessôa

20/03/2010

quinta-feira, 11 de março de 2010

Sobre amores e dentes!

Sentir-se em processo de apaixonamento
é tão estranho quanto sentir o dente que cresce:
Primeiro, tudo é vazio...
E quando se nota a lasca de pedra
que tão bravamente irrompe de sua carne
você se anima por saber
que tão logo terás um resultado!
(seja ele perfeitinho e brilhante
ou de um amarelo entortecido!!!)

Marcela Pessôa

domingo, 31 de janeiro de 2010

Terra

Eu te amo mais que me amas,
Eu já sei.
Não me envergonho por isto.
E sei que conheço de ti
Mais que sabes de mim.

Sou apenas mais um invisível amador de tua aurora.
Um apaixonado pelas estrelas pinceladas
na carne de teu céu.
Um deslumbrado com teu cada dia valsante.
Um envolvido, um enamorado...

Me absorvem os sulcos que descem
por tuas coxas montanhosas.
E a carícia com que afagas aos sopros meus cabelos.
Me encanta a beleza nativa dos herdeiros de teu útero,
E os beijos avassaladores com que castigas sua vil existência.

Sou teu amante inveterado, indisciplinado,
pequeno e insignificante.
Teu filho que regozija no prazer de existir
A beleza da própria existência.
Apenas mais um carente de teus mortais...


Marcela Pessôa
23/01/2010

quarta-feira, 6 de janeiro de 2010

Amar


Amo o verde e a folha

Amo o rosa e a rosa

Amo a dor e o espinho

Amo ventre e o corpo

Amo o som e destreza

Amo a cor e a beleza

Esta plenitude tão cara

por não saber o que há de amanhã

além de um sopro de vida...
.
.
Marcela Pessôa
06/01/2010