Sobre e para sentimentos Quixotescos

"Com as lágrimas do tempo e a cal do meu dia eu fiz o cimento da minha poesia."

{Vinícius de Moraes}







sábado, 29 de novembro de 2008

Leve

Borboleta,
leve este beijo
este sorriso
o lisonjeio
que se perdera em mim...

Vá, levante tuas asas...

Que eu quis dizer sim
mas tive medo...
e temo me amedrontar...

Então te peço, vá!

Leve o meu beijo
o meu carinho perdido
que ficarei a te esperar.


Marcela Pessôa
...06/2007

Ora-ções

Vinde o fruto dos desejos saciar a nossa sede
Vinde vida infinita dar acalanto à memória
Ao riso triste da saudade
Ao tempo de glória
Que vinde a nós o tempo de bonança
E não apenas o de esperança
Que a dor é torta
E arde, e queima, e fere
Com cicatrizes permantes
E venha o verde nos embalar
Como quem nina uma criança
Como quem espera o que alcança
E vinde a tortura dos desejos compadecer
Com a remissão dos pecados
Permite aos homens que se deleitem no prazer de viver a verdade
De viver a justiça, quando esta tem o nome de igualdade
Ou que façam até conseguir alcançar este ideal
Vinde os pomos da terra nos engrandecer
Quero ser a verdura da terra
Quero mais ser o canto do rouxinol
A cantiga do homem da roça
A cantiga da vida que passa
E agradece o cansaço da vida ao sol
Vinde a nós o tempo de bonança
Que cansei de ter esperança
De um dia teus olhos voltarem para o sertão


Marcela Pessôa
...2007

Farpas

Às vezes sinto que farpas entram em meu coração
Toda vez que não me olha
Toda vez que não me escuta
Toda vez que não me entende
E isso dói
Porque não gosta de elogios
não elogia
Porque não gosta de ouvir o amor
não diz que ama
Porque não gosta de discutir
se omite
E isso dói
Às vezes sinto que farpas entram em meu coração
Toda vez que está abatido
Toda vez que se irrita
Toda vez que se esmorece
E isso dói
Porque não posso rancar-lhe o cansaço do corpo
e ver seu sorriso
Porque não posso ninar-lhe com palavras doces
como sei que todos precisam
Porque não posso cobrar-lhe o brilho nos olhos
ou fazer tudo o que queria
E isso dói
Fica tudo guardado
Nas lágrimas que não choro
Nos abraços que não dou
E só meu coração sente as farpas
desta minha insignificância
frente a uma vida sobre a qual não tenho poder
E isso não sei se é outra face do amor que sinto
ou apenas loucura de quem não saber viver


Marcela Pessôa
...2006

sexta-feira, 28 de novembro de 2008

C'est moi

Je ne suis pas l'amour que tu a perdu
Je sui l'amour que personne ne possédé...

Je ne suis pas le soleil que tu sents
Je suis la lune que personne ne voir...

Je ne suis pas la logique de la vie
Je suis le motif peur ta razon..

Je ne suis pas le pardon
Je suis l'opportunité de reconstruction...


Marcela Pessôa
03/04/2004

sexta-feira, 21 de novembro de 2008

Uns braços

Meus, apenas braços meus
E porque me perco em braços?
E tantos braços?
São apenas os meus braços

Apenas pretendo um abraço que não sei onde começa,
Não sei onde termina

Meus, apenas braços meus
Que se esticam da sola do meu pé ao último fio de minha cabeça

Meus, apenas os braços meus me podem abraçar,
Me podem tocar
Sem que eu tenha a agressividade de lhes atacar
Por que eu não sei
Pra quê eu não sei
Só sinto a vontade de chorar
De fazer pender de meu olhar doces gotas de água salgada

Meus, apenas os braços teus
Não sei porque fujo
Não sei porque temo
Mas aí eu queria me acalentar

E a saudade, meu bem, é a saudade
Que tanto me vem perturbar
A saudade de um tempo que se foi
Um tempo que virá

Meus, apenas os braços meus
Apenas meu toque sob o luar
Apenas o sol a me aquecer
A fazer germinar algum arco-íris aqui
Dentro da minha semente que não germina

E pinga e pinga e pinga

Meus, apenas os braçso teus
Onde estão?
Por onde vão?
Para onde vão?
Em vão
Tão distante assim de mim

Os braços meus
Deixa eu me livrar de tantos braços
E tantos braços e abraços meus
Na esperança de encontrar os meus braços
E seus braços
E nos abraços
Os acalantos seus
Que fazem ter sentido tudo
Ter sentido nada
Ouvir o silêncio
Balbuciar o infinito
E saber que posso ninar até minha alma dormir

Meus, apenas os braços meus
Apenas os braços teus

Aahh...


Marcela Pessôa
09/04/2007

quinta-feira, 20 de novembro de 2008

Tributo à água

Minaste do seio da terra
Regaste campinas, matas e sertões
Levaste a vida dentre tuas correntes
Germinando a semente
E mantendo embriões
Formaste rios, juscuros, lagos
Mares, geleiras e igarapés
Sê a maior porção do mundo
E num encanto profundo
Conjugaste as marés
Traças os continentes como veias
Dos céus como benção precipita
Dos seres fome e sede saciais
Os corpos sustentais
Com uma força infinita
Pois que tu como Mãe Natureza
É o fundamento de toda existência
E outrora teus filhos, covardes
Teu sumo invade
Com a sua ciência
[...]


Marcela Pessôa
...2004

Aos teus olhos

Sábia direção tomam os ventos
Os alísios, os continentais
Que varrem o calor dos sentidos
Para além dos sentimentos normais

No labor dos céus fez-se a tromba
Que desaguou nos oceanos nus
Na triste seca do nordeste
Eu clamei por teus olhos azuis

Corrija-me Marte ou Vênus
Mas tu é filho do deus Possêidon
Pois o sabor que rege teu corpo
Não sairia desta terra marrom

Ouvi sobre acorde de anjos,
Cordéis e cantos de paz
Mas nenhuma melodia é tão doce
Quanto o som das tuas cordas vocais

A quimera que nasce no Outono
Morre na aspereza do Inverno
Tu nasceste na Estação mais frondosa
Estação de chegada deste torpor eterno

Cataclismos,
Avalanches,
Erupções,
Histórias sem fim...
Tudo posso poetizar
Para que por um segundo
Tu gostes de mim...


Marcela Pessôa
20/07/2005

domingo, 16 de novembro de 2008

Ecos

Passo o dia metido em exercícios
Os quais minha mente ama
E o meu corpo ignora
Admirando casos,
Servindo-me ao acaso
Falando para não ouvir

E quando chega a noite
E me deito
No acalento, tudo parece adormecer
E meus tímpanos ouvem
Meus pensamentos agonizantes
E as palavras ecoam no quarto
Como objetos a movimentar-se no váculo

Não posso dormir
Tortura-me as incertezas do amanhã
Retoma-me a memória do hoje
Que já se foi
Assimilo as lembranças menos remotas
Tomo minhas notas
O que sei e não sei?!
Falei demais novamente e não escutei
Talvez se escutasse já estaria adormecido
Não reproduziria minha própria voz
Em meu ouvido
Ou talvez seguiria o martíro
De simplesmente calar e escutar

A noite passa, sua madrugada
E os primeiros raios
Varam a Terra
Não dormi,
Talvez cochilei
Não sei...
E logo terei de novo que me predispor
Os olhos lacrimejam insoniamente
Levanto-me, lavo o rosto
E sorrio para o novo dia
Que começou


Marcela Pessôa
...2004

Choro

É...
Eu sei que sou feliz...
Posso sorrir, dançar, brincar, gritar, me divertir...
Tenho pessoas que amo, e que me amam em minha vida...
Me disseram que quando ficamos mais velhos
Descobrimos que o que importa na vida, é a vida...
E quem você é enquanto vive...
Mas eu só sei de fato quem sou quando choro...
Hoje eu chorei.


Marcela Pessôa
04/03/2007

Atua

Quem tem muito a fazer
Não pode parar

Não tem o direito de sorrir
Não tem o direito de chorar

Então coloca tua máscara
Suba ao palco

E atua - entala
Porque tu és o espetáculo

Ninguém pode
Ou te ensinará

Porque aqui
Cada um tem seu lugar

E por mais que
Dois busquem ser um

Há limites que os levam
Pra lugar nenhum

Quem tem muito o que fazer
Não pode ser gente

Não pode sofrer
Ou revolver a mente

"Tudo posso
Naquele que me fortalece"

E mesmo quando oro
Só a mim cabe a prece


Marcela Pessôa
11/11/2004

A carta da história

Meu amor,
Que irrompeis da noite
Que correis pelos campos
Até me encontrar

Que sob a tácida lua
Uiva lancinante
E num grito cortante
Dispersa o luar

Largai paradigmas
Renegai vossa sina
Acolhei-me maldição

Sórdida serpente
Que entorpece tua mente
Envenena voss'alma
E vosso coração

Só aceitarei tua corte
Se aceitares a minha
E junto a mim
Quiseres prosseguir

Nossa lenda é injustiça
E vivo a premissa
De para sempre te amar
Sem ambos existir


Marcela Pessôa
27/06/2005

Poema

a era dos corpos é agora
estamos no momento alpha

já podemos voar
transfigurar
desaparecer

ruir sob o sol
esfacelar-se ao vento
dissolver-se na água
reerguer-se da pedra

propagar-se como a luz
reduzir-se ao átomo
pintar novamente o arco-íris

então vem...

q eu t
Gosto
Daqui


Marcela Pessôa
25/08/2007