Meus, apenas braços meus
E porque me perco em braços?
E tantos braços?
São apenas os meus braços
Apenas pretendo um abraço que não sei onde começa,
Não sei onde termina
Meus, apenas braços meus
Que se esticam da sola do meu pé ao último fio de minha cabeça
Meus, apenas os braços meus me podem abraçar,
Me podem tocar
Sem que eu tenha a agressividade de lhes atacar
Por que eu não sei
Pra quê eu não sei
Só sinto a vontade de chorar
De fazer pender de meu olhar doces gotas de água salgada
Meus, apenas os braços teus
Não sei porque fujo
Não sei porque temo
Mas aí eu queria me acalentar
E a saudade, meu bem, é a saudade
Que tanto me vem perturbar
A saudade de um tempo que se foi
Um tempo que virá
Meus, apenas os braços meus
Apenas meu toque sob o luar
Apenas o sol a me aquecer
A fazer germinar algum arco-íris aqui
Dentro da minha semente que não germina
E pinga e pinga e pinga
Meus, apenas os braçso teus
Onde estão?
Por onde vão?
Para onde vão?
Em vão
Tão distante assim de mim
Os braços meus
Deixa eu me livrar de tantos braços
E tantos braços e abraços meus
Na esperança de encontrar os meus braços
E seus braços
E nos abraços
Os acalantos seus
Que fazem ter sentido tudo
Ter sentido nada
Ouvir o silêncio
Balbuciar o infinito
E saber que posso ninar até minha alma dormir
Meus, apenas os braços meus
Apenas os braços teus
Aahh...
Marcela Pessôa
09/04/2007
Sobre e para sentimentos Quixotescos
"Com as lágrimas do tempo e a cal do meu dia eu fiz o cimento da minha poesia."{Vinícius de Moraes}
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