Passo o dia metido em exercícios
Os quais minha mente ama
E o meu corpo ignora
Admirando casos,
Servindo-me ao acaso
Falando para não ouvir
E quando chega a noite
E me deito
No acalento, tudo parece adormecer
E meus tímpanos ouvem
Meus pensamentos agonizantes
E as palavras ecoam no quarto
Como objetos a movimentar-se no váculo
Não posso dormir
Tortura-me as incertezas do amanhã
Retoma-me a memória do hoje
Que já se foi
Assimilo as lembranças menos remotas
Tomo minhas notas
O que sei e não sei?!
Falei demais novamente e não escutei
Talvez se escutasse já estaria adormecido
Não reproduziria minha própria voz
Em meu ouvido
Ou talvez seguiria o martíro
De simplesmente calar e escutar
A noite passa, sua madrugada
E os primeiros raios
Varam a Terra
Não dormi,
Talvez cochilei
Não sei...
E logo terei de novo que me predispor
Os olhos lacrimejam insoniamente
Levanto-me, lavo o rosto
E sorrio para o novo dia
Que começou
Marcela Pessôa
...2004
Sobre e para sentimentos Quixotescos
"Com as lágrimas do tempo e a cal do meu dia eu fiz o cimento da minha poesia."{Vinícius de Moraes}
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